Pular para o conteúdo Ir para o contato rápido

Exame de refração: como é feito e como ler a receita

Publicado em · Atualizado em · por

O exame de refração é o que quase todo mundo chama de exame de vista: é ele que mede o seu grau e dá a receita dos óculos. É rápido, sem dor e sem colírio. Ele não avalia a saúde do olho por dentro, que é trabalho do oftalmologista. No fim, você sai com um papel cheio de números e siglas, e é isso que este texto explica.

Rapaz de perfil ao ar livre, de óculos com armação metálica fina

O que o exame mede — e o que ele não mede

Medir grau e examinar a saúde do olho são coisas diferentes, feitas com aparelhos diferentes.

A refração responde uma pergunta só: com qual lente você enxerga melhor. Ela não mede a pressão dentro do olho, não olha o fundo do olho e não avalia o nervo óptico.

Isso importa porque as doenças que mais tiram visão costumam começar caladas. O glaucoma, por exemplo, geralmente não provoca sintomas até as fases mais tardias, segundo o Ministério da Saúde. Enxergar bem com os óculos novos é uma coisa; a saúde do olho por dentro é outra, e quem cuida dela é o oftalmologista.

E existe uma lista que não é para deixar para depois: perda súbita de visão, dor no olho, olho vermelho, uma sombra ou cortina no campo de visão, flashes de luz, moscas volantes que apareceram de repente, imagem distorcida, pancada ou produto químico no olho. Nada disso é caso de medir grau — é caso de procurar um oftalmologista na hora.

Como é feito, do aparelho ao "qual está melhor, 1 ou 2?"

Começa com uma medida inicial e termina com testes de lentes, em que você diz como enxerga melhor.

A medida inicial costuma vir de um aparelho automático, em que você olha para uma imagem por alguns segundos. Se você já usa óculos, o grau atual também entra na conta. Esse número é só o ponto de partida, não a receita.

Quando você consegue responder aos testes, entra aquela parte do "qual está melhor, 1 ou 2?". Com o foróptero, o aparelhão cheio de lentes, ou uma armação de prova, o profissional compara opções e considera suas respostas junto com as outras medidas do exame.

Uma dica que melhora o seu exame: não tem resposta errada. Se as duas parecerem iguais, diga que estão iguais — isso também é informação para quem está medindo.

O colírio que dilata: quem precisa e por quê

O colírio que dilata a pupila é usado pelo oftalmologista, não no exame de vista da ótica. Ele serve para examinar o fundo do olho e, em criança pequena, para medir o grau com mais precisão.

Criança pequena força muito o foco, e isso pode esconder parte da hipermetropia (o grau de quem se esforça para enxergar, principalmente de perto). O colírio relaxa esse esforço por algumas horas. É por isso que, abaixo de 5 anos, o exame é com o oftalmologista. A associação de oftalmologia pediátrica AAPOS explica por que esse cuidado faz parte do exame infantil.

Se você for dilatar a pupila, a visão de perto fica embaçada e a luz incomoda por algumas horas. Não volte dirigindo e leve óculos escuros, se tiver.

Crianças podem fazer o exame na ótica?

Sim, a partir de 5 anos. Nessa idade a criança já consegue responder aos testes, e o optometrista faz o exame de vista na ótica, como num adulto. Para menores de 5 anos, o caminho é o oftalmologista, pelo motivo do colírio explicado acima.

Como ler o papel com os números

Primeiro, de quem é cada linha: OD é o olho direito e OE o esquerdo — em algumas receitas, OS.

Esférico, ou ESF: é a parte esférica da correção. Na receita para longe, o sinal de menos indica correção de miopia; o de mais, de hipermetropia. Hipermetropia não é simplesmente "dificuldade de perto": pode afetar também a visão de longe, dependendo do grau e da capacidade de foco.

Cilíndrico, ou CIL, indica a diferença de potência entre duas direções principais da lente para corrigir o astigmatismo. O eixo, indicado em graus, orienta essa correção. Ele não é uma quantidade de grau e não significa que a correção só exista naquela direção.

Adição, ou ADD: o grau extra para enxergar de perto, que aparece por volta dos 40 anos. Vem sempre positivo e se soma ao de longe.

DP ou DIP: a distância entre as suas pupilas, em milímetros. Não é grau — é a medida que diz onde o centro da lente precisa ficar.

E um aviso que evita confusão: o mesmo grau pode ser escrito de duas formas, uma com o cilindro negativo e outra com ele positivo. As duas estão certas e viram exatamente a mesma lente. Se a receita nova parecer diferente da antiga, pode ser só isso.

Juntando tudo, OD −2,00 −1,00 180 descreve a correção do olho direito: esfera de −2,00, cilindro de −1,00 e eixo a 180 graus. Nesse exemplo, a lente tem −2,00 na direção do eixo e −3,00 na direção perpendicular. O cilindro é essa diferença entre as direções, não um grau acrescentado igualmente à lente inteira.

O que a ótica faz com a sua receita

Aquele papel não é a lente. É a instrução para fabricar uma — e a mesma instrução dá resultados bem diferentes conforme o que você escolher depois.

A armação é o primeiro fator. Em quem tem miopia, quanto maior o aro, mais lente sobra para os lados e mais grossa fica a borda. É por isso que a armação decide tanto quanto o material da lente quando o grau é alto.

A distância entre as pupilas é outro fator. O centro da lente precisa ficar na frente da pupila; montagem fora dessa medida incomoda mesmo com o grau certo.

Quando um olho tem grau bem diferente do outro, as duas lentes são escolhidas juntas, para que fiquem parecidas em espessura e peso.

E quanto tempo a receita vale? Não há prazo fixo no papel. Se ela é antiga ou a sua visão mudou, refaça o exame antes de encomendar, e lembre que os óculos ainda vão levar alguns dias para ficar prontos.

De quanto em quanto tempo refazer

Para o grau, refaça o exame de vista quando a visão mudar ou a receita já estiver antiga. A visita ao oftalmologista, para a saúde do olho, tem intervalo que depende da idade e do histórico de cada pessoa; combine com ele, mesmo sem queixa. Como explica o Instituto Nacional dos Olhos dos Estados Unidos, algumas doenças oculares podem não dar sinais no começo.

Vista embaçada, dor de cabeça, esforço para enxergar e cansaço ao ler costumam ser sinal de grau desatualizado, mas nem sempre. Se aparecerem de repente, procure um oftalmologista; os sinais de alerta do começo do texto não esperam a troca de óculos.

Para medir o grau, o exame de vista com optometrista é grátis e leva de 15 a 30 minutos, sem obrigação nenhuma de comprar os óculos. A receita sai com você no fim do exame, comprando aqui ou não, porque ela é sua. É sem hora marcada: é só passar numa das lojas, de segunda a sábado (pode haver espera). O optometrista atende de segunda a sexta, das 9h às 16h, e no sábado até as 14h. Se preferir garantir o horário, dá para combinar pelo WhatsApp.

Leia também

Onde a gente fica

Se você é de Hortolândia ou da região, pode passar em qualquer uma das duas lojas. O exame de vista é de graça, com optometrista, e não precisa marcar.

  • Loja do Centro Rua José Camilo de Camargo, 128, em frente à Montreal · seg a sex 8h30 às 18h, sábado 9h às 14h
  • Loja do Jardim Amanda Avenida Brasil, 1353, em frente ao Bradesco · seg a sex 9h às 18h, sábado 9h às 14h

Tirar uma dúvida no WhatsApp

Ver todos os artigos